O nível baixa. Repõe. Na semana seguinte baixou de novo. Alguém da família diz que é normal, alguém do serviço diz que está vazando, e ninguém tem como provar nenhuma das duas.
Evaporação existe, e varia muito mais do que se imagina
Piscina descoberta perde água para o ar todos os dias. Quanto ela perde depende da temperatura, da umidade relativa do ar, do vento e do quanto foi usada, e a diferença entre uma semana e outra pode ser grande.
Um período seco e com vento evapora bastante mais que uma semana abafada e parada. É por isso que tanto o está normal quanto o está vazando são respostas dadas sem medir, e as duas erram com a mesma frequência.
O teste do balde
É o único teste caseiro que vale, e responde a primeira pergunta com clareza.
Coloque um balde no degrau da piscina, submerso até a metade, cheio com a água da própria piscina. Marque o nível da água dentro do balde e o nível da piscina fora dele. Desligue a bomba e não use a piscina por 24 a 48 horas. Depois compare as duas marcas.
Se os dois níveis baixaram igual, a perda é evaporação: o balde e a piscina estão expostos ao mesmo ar. Se a piscina baixou mais que o balde, a diferença é vazamento.
O teste diz se vaza. Não diz onde, e é aí que a investigação começa.
Onde a piscina vaza
São cinco famílias de origem, e elas têm custos de correção muito diferentes.
Estrutura do tanque. Fissura na parede ou no fundo, junta de dilatação comprometida, rejunte degradado.
Revestimento. Pastilha ou azulejo com aderência perdida, vinil perfurado, gelcoat trincado em piscina de fibra.
Acessórios embutidos. Nicho do refletor, ralo de fundo, skimmer e dispositivos de retorno. São furos no tanque com vedação própria, e vedação envelhece.
Tubulação enterrada. As linhas de sucção e de retorno correm sob o deck ou sob o jardim, fora da vista.
Casa de máquinas. Bomba, filtro, registros e conexões. É o mais fácil de encontrar e o mais esquecido, porque a água escorre no ralo e ninguém associa à piscina que está baixando.
Três pistas que estreitam a busca antes de qualquer equipamento
Onde o nível estabiliza. Se a piscina baixa até uma altura e para, o ponto de saída está naquela cota. A altura do skimmer e a do refletor são as duas coincidências mais comuns.
Se baixa até esvaziar. Perda que não estabiliza aponta para o fundo ou para a estrutura.
A relação com a bomba. Perder mais com a bomba ligada sugere a linha de retorno, que trabalha pressurizada. Perder mais com a bomba desligada sugere a linha de sucção. Essa distinção sozinha já divide o campo de busca ao meio.
Como se localiza o ponto
O traçador fluorescente é aplicado com a água parada, próximo ao ponto suspeito. Sob luz adequada, o corante mostra para onde a água está sendo puxada, e revela a fissura ou a folga de vedação que a olho nu não aparece.
O teste de pressão resolve a tubulação enterrada: cada trecho é isolado e pressurizado separadamente, e o trecho que não sustenta a pressão é o trecho com o furo. É o que evita quebrar deck inteiro procurando.
A termografia ajuda no entorno, onde água correndo fora do lugar altera a temperatura da superfície, e a inspeção do tanque com registro fotográfico fecha o quadro da estrutura e do revestimento.
Piscina vazando raramente termina como problema de piscina
A conta de água é a parte barata. O que custa é o que a água faz enquanto corre por baixo.
Água saindo de tubulação enterrada lava o solo ao redor e carrega o material fino, criando vazios sob o deck e sob o passeio. Com o tempo isso vira recalque, piso estourando e revestimento soltando, longe do ponto onde o vazamento estava. Em terreno com desnível, a saturação do solo ainda alcança contenções e fundações próximas.
É por isso que piscina perdendo água acima do normal não é assunto que se resolva repondo. Repor é conviver.
