InícioBlog › Compra de imóvel

Comprar imóvel com elétrica antiga: quanto isso pesa na conta

Elétrica antiga não é motivo para desistir de um imóvel. É um item de custo. O problema é que esse custo varia muito mais do que parece de fora.

Elétrica antiga raramente derruba um negócio sozinha. Ela entra na conta como qualquer outro item que vai precisar de obra. O que atrapalha é que essa é uma das contas que mais varia, e a variação não aparece numa visita.

Duas casas do mesmo ano, com o mesmo quadro de distribuição, podem exigir intervenções de custo bem diferente. O que separa uma da outra não é visível de fora, e é disso que trata este texto. Por que a instalação antiga não dá conta do equipamento moderno é assunto de outro artigo; aqui a pergunta é quanto isso pesa na decisão de comprar.

São três níveis, e o preço entre eles não é próximo

Nível 1, reforço pontual. A instalação está em condições razoáveis e falta capacidade em pontos específicos. Um circuito exclusivo para o chuveiro, outro para o cooktop, talvez a substituição do quadro por um com mais espaço e com dispositivo DR. É o cenário mais barato e o mais rápido.

Nível 2, refazer a fiação pela infraestrutura existente. Os condutores e as proteções são todos substituídos, mas os cabos novos passam pelos eletrodutos que já estão embutidos na parede. Não há demolição relevante. Custa mais que o nível 1, e ainda assim é uma obra controlada.

Nível 3, refazer também a infraestrutura. Os eletrodutos existentes não servem, e é preciso criar caminho novo para os cabos. Aqui a obra deixa de ser elétrica e passa a envolver alvenaria, acabamento, pintura e tempo. É outro patamar de custo.

O salto entre o nível 2 e o nível 3 é o que costuma pegar quem comprou sem verificar. Também é o que não dá para saber olhando o quadro de distribuição.

O que decide entre o nível 2 e o nível 3

Dois fatores, ambos dentro da parede: se os eletrodutos existentes estão desobstruídos e se têm diâmetro para os condutores que a nova instalação exige, que costumam ser mais numerosos e de seção maior que os originais. Basta um dos dois falhar para o caso virar nível 3.

A boa notícia é que os dois se verificam sem demolir nada. Teste de passagem e inspeção do quadro são procedimentos não destrutivos, e podem ser feitos com o imóvel ainda do vendedor, desde que ele autorize a visita técnica.

Quando é nível 3, existe mais de um caminho

Descoberto que a infraestrutura precisa ser refeita, a reação natural é imaginar paredes abertas de ponta a ponta. É um caminho. Não é o único, e os caminhos não custam a mesma coisa.

A alternativa é levar a infraestrutura por cima, entre a laje e um forro de gesso rebaixado. Quando as duas opções são orçadas lado a lado, o que costuma desequilibrar não é o material: é a mão de obra de pedreiro para quebrar, reassentar, rebocar e refazer o acabamento, e é o tempo de obra que isso acrescenta. Obra mais curta também é menos aluguel pago em dobro, menos tempo morando no meio de poeira.

Há um detalhe que muda a conta e costuma passar despercebido. O rebaixamento raramente é necessidade técnica, e quem já queria o forro rebaixado por estética normalmente descartou a ideia como luxo. Quando a elétrica entra na conta, o mesmo gasto passa a comprar duas coisas: a infraestrutura de que o imóvel precisava e um projeto de iluminação que estava fora de cogitação, com sanca, cortineiro ou perfil embutido.

Não é a solução do problema. É uma escolha que, em certos casos, compensa por motivos que não estavam na conta original.

O que o rebaixamento não resolve

Convém dizer, porque a ideia costuma ser vendida como solução universal e não é.

O forro rebaixado carrega a infraestrutura na horizontal, mas tomadas e interruptores continuam na parede. Ainda são necessárias descidas até esses pontos, o que significa algum trabalho de alvenaria, geralmente localizado e bem menor do que rasgar a casa inteira. Continua sendo obra.

E há um custo que não é em dinheiro: o rebaixamento consome pé-direito. Em imóvel com teto já baixo, pode simplesmente não ser uma opção. Em imóvel antigo com pé-direito alto, costuma sobrar folga.

Como isso entra na negociação

Saber em qual nível o imóvel se encaixa muda a conversa de duas formas. A primeira é decidir com informação: um desconto que parecia generoso pode não cobrir uma obra de nível 3, e um imóvel que parecia caro pode ser nível 1 e sair barato no fim.

A segunda é ter argumento. Constatação técnica registrada, com fotografia, é material de negociação diferente de impressão pessoal. E o momento de levantar isso é entre a proposta e a assinatura, porque depois do sinal a margem encolhe.

O que responde em qual nível o imóvel está não é o ano da construção nem o aspecto do quadro. É a verificação em campo do que existe de condutor, proteção, aterramento e infraestrutura, comparada com a carga que a casa vai passar a ter.

Perguntas frequentes

Elétrica antiga é motivo para desistir da compra?

Por si só, quase nunca. É um item de custo como telhado, esquadria ou impermeabilização. O que faz desistir é a soma de tudo o que o imóvel precisa comparada com o desconto oferecido. Isolar a elétrica do resto costuma levar a decisão errada nas duas direções.

Dá para saber quanto vai custar antes de comprar?

Dá para determinar em qual nível o imóvel se encaixa e qual a ordem de grandeza da intervenção, que é o que muda a decisão de compra. Orçamento fechado é outra etapa e depende de projeto elétrico, porque a quantidade de circuitos e a seção de cada condutor saem de cálculo.

Rebaixar o teto resolve sempre o problema da infraestrutura?

Não. Depende de haver pé-direito para ceder, e mesmo quando há, tomadas e interruptores continuam na parede e exigem descidas até esses pontos. Reduz bastante a demolição, não elimina. Em imóvel de teto baixo, costuma estar fora de cogitação.

O vendedor precisa autorizar quebrar parede para essa verificação?

Não há quebra. O teste de passagem nos eletrodutos, a inspeção do quadro de distribuição e a verificação de aterramento nas tomadas são procedimentos não destrutivos. O que se pede ao vendedor é tempo e acesso, não autorização para demolir.

O imóvel foi reformado há pouco tempo. Isso resolve?

Não necessariamente, e essa é uma das confusões mais caras. Boa parte das reformas feitas para vender é estética: pintura, piso, bancada, louças. A elétrica fica atrás da parede e não aparece em foto de anúncio. Imóvel reformado recentemente com quadro antigo e tomada sem aterramento é cena comum.

Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação técnica de um caso concreto. Cada edificação tem histórico, sistema construtivo e condições próprias.

Precisa de uma avaliação?

Conte o que está acontecendo no seu imóvel. A partir da sua descrição, indicamos o caminho técnico adequado.

Retornamos o contato em horário comercial. Prefere e-mail? contato@fmmengenharia.com.br

Leia também