Quem recebe um apartamento novo olha para o que salta aos olhos: pintura, vidro riscado, porta amassada. São itens legítimos, e costumam ser anotados. O problema é que os itens mais caros de corrigir depois não são visíveis desse jeito. Eles pedem um teste, uma medida ou uma comparação com o contrato.
1. Caimento de piso invertido ou insuficiente
Box, varanda, área de serviço e sacada precisam escoar água na direção do ralo. Quando o caimento está insuficiente, a água empoça; quando está invertido, ela corre para dentro do ambiente. Nenhum dos dois se percebe com o piso seco, e é por isso que o item passa. A verificação é simples com nível, e a correção depois da mudança envolve quebrar revestimento pronto.
2. Revestimento com som cavo
Piso ou parede que soam ocos ao toque indicam falha de aderência entre a peça e a base. No dia da entrega não há nenhum sinal visual: o revestimento está inteiro e alinhado. Meses depois, a peça estufa, trinca ou se solta. Em fachada, o mesmo defeito vira risco de queda. A checagem é feita por percussão, ambiente por ambiente.
3. Divergência entre o entregue e o memorial descritivo
O memorial define marca, modelo e padrão de cada item: louças, metais, revestimentos, esquadrias, sistema de aquecimento. Trocas para baixo acontecem, e passam despercebidas porque quase ninguém leva o memorial para a vistoria. Sem ele, o que está instalado parece simplesmente o que tinha de estar. Com ele em mãos, a conferência é objetiva e a diferença é indiscutível.
4. Pontos elétricos e hidráulicos que não foram testados
Tomada sem energia, ponto de antena não ligado, interruptor que aciona o circuito errado, registro que não fecha por completo, descarga com vazamento silencioso. São defeitos que só aparecem quando o item é acionado, um a um. Numa vistoria rápida, quase nenhum é testado, porque testar todos leva tempo. Depois da mudança, cada um vira uma visita agendada de assistência técnica.
5. Indícios de infiltração já tratada
Uma mancha antiga coberta com tinta nova, um remendo de gesso recente, um trecho de rodapé trocado. São sinais de que houve um problema durante a obra, e nada garante que a causa tenha sido resolvida. Interpretados a tempo, viram ressalva no termo de entrega e mantêm a responsabilidade onde ela deve estar. Ignorados, reaparecem no primeiro período de chuva, agora como problema seu.
O que esses cinco têm em comum
Nenhum deles é invisível por má-fé. Todos exigem uma dessas três coisas para serem percebidos: um instrumento, uma referência documental ou um teste de funcionamento. É exatamente o que a vistoria técnica acrescenta ao processo, e a razão pela qual ela se paga com folga quando encontra um único item relevante.
Vale lembrar o prazo: vícios aparentes devem ser apontados no recebimento, e questões de solidez e segurança contam com prazo de garantia de cinco anos previsto no Código Civil. Quanto mais cedo o registro, mais forte a posição de quem recebe.
