InícioBlog › Recebimento de imóveis

O imóvel tem a metragem que foi vendida?

Área privativa, área útil e área construída não são a mesma coisa. E o que foi executado nem sempre é o que estava no projeto que você comprou.

Poucos compradores medem o imóvel que acabaram de receber. A maioria confere acabamento, testa torneira, olha pintura, e aceita a metragem como um dado que já veio decidido. É justamente onde se perde dinheiro em silêncio.

Três áreas diferentes, e a confusão que nasce daí

Parte das discussões sobre metragem não é divergência de medição, é divergência de conceito. O material de venda fala de uma área, a escritura de outra e o comprador imagina uma terceira.

  • Área útil: o piso que você efetivamente pisa, medido por dentro das paredes
  • Área privativa: a área útil somada às paredes internas e a metade das paredes que dividem com o vizinho, além de varandas e vagas quando previstas
  • Área total ou área construída: a privativa mais a fração das áreas comuns do empreendimento, que é o número maior que costuma aparecer no anúncio

Antes de discutir se falta metro quadrado, é preciso saber qual dos três números está sendo comparado com o quê. Comparar a área do anúncio com a medida da trena leva a conclusão errada quase sempre.

Onde as diferenças reais aparecem

Feita a comparação correta, sobram divergências que não são de conceito. As mais comuns:

  • Paredes executadas fora da posição do projeto, reduzindo um ambiente e aumentando outro
  • Shafts e prumadas maiores que o previsto, comendo área de banheiro e cozinha
  • Pé-direito abaixo do informado, o que não muda a área mas muda o que cabe no ambiente
  • Vagas de garagem com dimensão menor que a de projeto, ou com pilar em posição que inviabiliza o uso
  • Varanda com fechamento diferente do comercializado

Como a medição é feita

A conferência usa trena laser, que mede distância por tempo de retorno do feixe e entrega precisão em milímetros, muito acima do que se consegue com trena de fita numa sala com móveis. Mais importante que a precisão isolada é o método: mede-se ambiente por ambiente, registram-se as cotas, e o levantamento do que foi executado é comparado com o projeto aprovado e com o material de comercialização.

É essa comparação que produz o resultado útil. Um número solto não prova nada; a diferença entre o que foi prometido e o que foi entregue, documentada lado a lado, prova.

Achou diferença. E agora?

O momento importa mais do que o argumento. Enquanto as chaves não foram recebidas sem ressalva, o comprador tem posição de negociação. Depois, passa a ser ele quem precisa demonstrar que o problema já existia.

Por isso a ordem que faz diferença é: medir antes de assinar o termo de recebimento, registrar as divergências por escrito no próprio termo e guardar o material de venda que embasou a compra. Havendo divergência relevante, o caminho começa pela construtora, e um levantamento técnico documentado é o que sustenta a conversa.

Vale lembrar que pequenas variações de execução existem em qualquer obra e são toleradas dentro de limites. O que se avalia é se a diferença é construtivamente esperada ou se altera o que foi contratado.

Perguntas frequentes

Qual diferença de metragem é aceitável?

Não existe um percentual único que valha para tudo. Pequenas variações de execução são normais em obra. O que se analisa é a natureza da diferença: variação construtiva dentro do esperado é uma coisa, ambiente executado fora da posição de projeto ou área comercializada que não se confirma é outra.

Dá para medir depois de já ter recebido as chaves?

Dá, e continua sendo útil como documentação. O que muda é a posição na negociação: recebido sem ressalva, o comprador passa a ter o ônus de demonstrar a divergência. Por isso a medição antes da assinatura vale muito mais.

A medição serve para reforma também?

Sim. Levantamento dimensional preciso é a base de qualquer projeto de reforma, e evita marcenaria encomendada com medida errada, que é um dos erros mais caros e mais comuns.

Este texto tem caráter informativo e não substitui a avaliação técnica de um caso concreto. Cada edificação tem histórico, sistema construtivo e condições próprias.

Precisa de uma avaliação?

Conte o que está acontecendo no seu imóvel. A partir da sua descrição, indicamos o caminho técnico adequado.

Leia também